Real Time Web Analytics Violência Semântica: Janeiro 2009

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Mal da Sobrevivência

Raoul Vaneigem, filósofo francês existencialista e libertário para mim e situacionista para outros dos tempos de 1968. Poucos escritores conseguiram dar tanta transcendência à palavra destruição. O trecho que vou colocar é, assim considero, do seu melhor livro: A Arte de Viver Para as Novas Gerações.

"O Mal da Sobrevivência" - O homem da sobrevivência é o homem do prazer-angústia, do inacabado, da mutilação. Aonde ele iria se reencontrar nessa perda infinita de si mesmo para a qual tudo o empurra? Ele vaga num labirinto sem centro, um labirinto cheio de labirintos. Arrasta-se num mundo de equivalências. Matar-se? Para se matar é preciso algum senso de resistência, possuir em si um valor para destruir. Se ele não existe, os próprios gestos de destruição se reduzem a nada. Não se pode lançar o vazio no vazio. "Se uma pedra caísse e me matasse, pelo menos ela teria uma utilidade,' escreveu Kierkegaard. Não há ninguém hoje, penso eu, que não tenha sentido horror de um pensamento como esse. É a inércia que mais seguramente mata, inércia daqueles que escolhem senilidade aos 18 anos, que mergulham oito horas por dia em um trabalho embrutecedor, que se alimentam de ideologias. Debaixo do lastimável ouropel do espetáculo, existem apenas seres esqueléticos que desejam, embora temendo, o expediente de Kierkegaard, para que assim nunca mais tenham de temer aquilo que desejam."

Entendeu pouco? Leia de novo, eu precisei ler 7 vezes para entender por completo este pequeno trecho do livro mesmo já sendo leitor fervoroso de Vaneigem. Leia, e se mesmo depois de ter lido todas as vezes possível e não ter entendido, procure ajuda médica para conservar sua lucidez, pois você realmente vai precisar. Este texto é sério, reflita.

- Crowley