Real Time Web Analytics Violência Semântica: Novembro 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Em sentido "extra-USPiano".


Pois é, tentarei encarar o discurso iluminista, vamos lá:

Independentemente do que cada um acha: um grupo relativamente grande de pessoas, aliás, pessoas de família economicamente viáveis, não "criminosas", que se organiza para causar transtornos sólidos publicamente em um sistema institucional - no caso, uma instituição de enorme poder que é a Universidade - em nome de vingança em significado não-pejorativo (é como Eu prefiro ver) diz algo que passa despercebido. Pelo menos no "mundão" de opiniões previamente engajadas, e quantas opiniões!

Dizer afirmações de espécie como: "Ah! Eles infringem a lei, são uns baderneiros", "Ah! Eu acho que as drogas fazem mal a sociedade", "Ah! São mauricinhos querendo aparecer", "Ah, eu acho isso e aquilo..." não demonstra a análise verdadeiramente importante, pois isso são "meras perspectivas de mundo", isto é, aquele velho papo que "hippie" gosta de chamar de etnocentrismo, positivismo, discursos alienados ou "encharcados de ideologia" e etc. Apesar de parecer "fanático", "sonhador", ou mesmo irritante, o que os "porras-loucas" dizem é um fenômeno inviolável. Se trata disso mesmo! Como o nosso colega aforismático preferido da juventude "descolada", Nietzsche, diz: "Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas".

Mas não vamos cair no relativismo doido!

Para quem é capaz de uma perspectiva um pouco mais sincera diante da realidade - considerando ser possível - sabe que o que acontece na USP, ou que tá acontecendo em plena Wall Street, ou a resistência que acontece no Santuário dos Pajés, ou o que se constrói em Chiapas, ou mesmo o que acontece nas "loucuras da noite" contemporânea diz algo importante, a saber, a oposição concreta cada vez maior contra a ordem das coisas. Não se trata de quem tá certo ou errado, mas de que existe uma parte (ou melhor, partes) que, cada vez mais, se arrisca fisicamente - novamente, pessoas de família com renda, que podiam estar "sussegadas" em casa - para afirmar uma visão de mundo completamente contrária aos costumes vigentes. São pessoas que GOSTAM MESMO de usar drogas e estão dispostas a fazer guerra por isso, ou pessoas que, mesmo estando financeiramente estáveis, lutam por sublevações econômicas, seja por conta do cotidiano entediante e massacrante ou mesmo pela singela vontade de experimentar novos modos de vida e da moral, em suma, pessoas DE OUTRO MUNDO, que incentivadas por uma explosão de vontade de viver como querem, DECLARAM GUERRA CONTRA TUDO. Pessoas que desobedecem a lei, que desobedecem a família, que tapam os ouvidos frente aos ditos da "educação" e "em tudo quer ter razão".

O número dessas pessoas, como já era de se esperar, cresce cada vez mais e vai continuar crescendo! A história tende PARA ISSO. Se existe um fato, ESTE é o fato. Não adianta dizer que: "tudo bem, mas existem outros caminhos para se defender interesses". Ah! Dizer isso já é arbitrário, já é o mesmo de dizer que "Faça isso como o ESTADO DE COISAS manda" e, portanto, "Faça isso dentro da legalidade", ou melhor, "SEJA EDUCADO, SEJA UM BOM RAPAZ".

O que vamos então fazer com essas pessoas? Reeducá-las? Exterminá-las? Botar todas elas na cadeia? Neste último caso, pelo número delas, já se faz impossível. Aliás, não forme opinião sobre isso antes de saber se alguma dessas pessoas não estão entre os seus amigos ou familiares.

A nossa sorte, nós que não somos essas pessoas, é que essas pessoas ainda usam de muita paciência. Elas, na maioria das vezes, não andam armadas, não estabelecem organizações criminosas especializadas, não explodem nada, não assaltam lotéricas e usam de violência, no máximo (SEJAM SINCEROS CARALHO) moderada. São pessoas que gostam de "atos simbólicos". Causam transtornos? Sim, mas sem matar ninguém. São pessoas que ainda mantém um fragmento delas no nosso mundo, ainda se encontra nelas o nosso jeito "bondoso" de ser. Assim, apesar de viverem em "outro mundo", nasceram NESTE mundo, tinham as mesmas opiniões que você! Só que, seja qual for o motivo, decidiram experimentar uma nova vida, decidiram projetar novas cores na realidade e mesmo na moralidade, porque não? Como se sabe, a moralidade constrói boa parte da realidade apreendida por nós, porque não também transformá-la?

Pra finalizar, o que quero que saibam é que EXISTE UM CONFLITO, aliás, um conflito que sempre existiu. O que acontece agora é que este conflito tem se tornado cada vez mais transparente para nós, que estamos sussegados em casa. Não dá mais pra ignorá-lo, por pouco não bate a nossa porta. É um conflito enorme e muito importante. É um conflito que COMPETE pela TOTALIDADE DA REALIDADE. Não sejamos metidos o suficiente pra sair vomitando opiniões diante disso, pois opiniões, em sentido vinculado como se vê, não importam mais, o conflito existe e vai continuar existindo. 

Vejo, neste momento, um bom critério de maturidade, a saber, tratar as coisas OBJETIVAMENTE.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aforisma

Os mais velhos são experientes, é verdade. Contudo, se trata de uma experiência sempre a serviço de algo particular, a saber, deles mesmos.

- Benny

O Bom Democrata


Todo bom democrata do novo século muito bem sabe que a melhor repressão política se faz pelas entrelinhas, por meio de um "debate", permitindo o diálogo, negociando... aliás, não é ele um bom homem de negócios? Ele sabe que o chicote está fora de moda para uma sociedade que já obedece naturalmente. Engenheiro de estratégias, não economiza um pensamento friamente calculado para achar uma solução. É um crítico de primeira linha, com grande carga de leitura. Ele é cidadão, sabe do "bem-viver", por onde passa exala virtudes, deixando belos sorrisos. Não se deixa perder a elegância: sabe o quanto um sorriso e palavras humildes podem surtir efeito. Ele reprime! Sim! Mas é um pai de família, ama os seus filhos! Não deixa escapar uma oportunidade para reafirmar incessantemente isso. Profissional, expert, especialista da democracia: como poderia ele deixar reinar mais marcas de repressão? Não, ele prefere se adequar ao discurso acolhedor, dos direitos do homem. Sempre que possível fala de direitos humanos, como se nada pudesse intervir em sua língua. Aliás, que belas palavras ele pronuncia! Justiça, amor, igualdade, solidariedade... é, pois, um filantropo ativo, sempre que pode distribui esmola para os miseráveis, pois bem sabe: um ato de solidariedade silencia os instintos "selvagens" dos pobres. Como bom repressor, exibe uma "imparcialidade" quase sensual: arbitrariedade com ele nunca! É um intelectual de primeira, aliás, um filósofo: conhece todos os fetiches ideológicos da sociedade. Tanto conhece que sabe perfeitamente usá-los. Seria o bom democrata um homem violento? Jamais seria! Como ele poderia? "Violência só traz mais violência". Se for pra reprimir, que seja de modo não-arbitrário, que seja reproduzindo uma boa oratória, com discursos morais enraizadores e protegidos pela ética "materialmente" institucionalizada, isto é, a lei. Ora, não seja extremista! a nossa lei é tolerante, universal, pinga razão por todos os lados! Ah sim! Tolerância é com ele mesmo: negros, homossexuais, aidéticos, índios, estrangeiros e, até, maconheiros... todos merecem direitos, pois são todos homens, portanto iguais! "Boa educação" para todos eles afim de se tornarem cidadãos de direito, no vabulário do bom democrata: Homens de verdade! Mas todos estes compromissos, todas essas responsabilidades, todas essas idéias podem custar muito para sua individualidade concreta. Assim - sem negligenciar a elegância e voz de maturidade - ele precisa ter uma esperteza "maquiavélica", coisa de criança, quem nunca viu um muleque fazer coisas horríveis "inocentemente"? Logo, nosso bom democrata é muito esperto. Diante de qualquer conflito sabe tirar proveito, assim como uma criança tira proveito em dedurar o irmão. Ao esforço de mascarar um conflito - atuando desta perspectiva como pai - gera lucro! Mas, não vamos falar de negócios, ele não pode deixar transparecer "o lobo que habita dentro de ti". O bom democrata tem assuntos de ordem social pra cuidar, isto é, seu tabuleiro, onde conhece muito bem a ordem das peças. Ele é, assim como um bom estrategista, bom jogador: sempre sabe prever como se dará a contestação das massas. Por isso, não se preocupa tanto com os "cachorros que latem e não mordem". Rí e abre deliciosos vinhos enquanto as massas gastam suas vozes na rua, pois bem sabe: "quem poderiam eles ferir?". Assim é o bom democrata ou cidadão, antes protegido por fortes e sólidas armaduras, hoje por uma armadura invisível, não menos eficiente, mas assombrosa, a saber, o policiamento humanitário. A tirania se tornou racional, ou melhor, virtual. Antes escravização preventiva: a culpa, o ressentimento, a humildade e o amor; que a escravização punitiva. Esta última, deixemos ao cargo, paradoxalmente, do que já foi internalizado na primeira. É por isso e por derivados acima e abaixo que o indivíduo, na sociedade profundamente modernizada só pode afirmar sua existência por via do crime.

- Benny.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Anarquista "Sem Poréns"

De uma dada perspectiva, tudo pode parecer simples: a Verdade é um sintoma, ou melhor, efeito de uma causa mascarada, a saber, "o tornar" uma visão de mundo - necessariamente tendenciosa - a totalidade da realidade. Ou melhor, é sempre mais confortável e menos angustiante erguer ao alto fetiches abstratos supostamente "bonitinhos" para encobrir os mórbidos interesses que governam a realidade concreta. Esta sempre negada durante a história humana, seja por medo, seja por poder. Em nome de que? de mais e mais fantasmas que se passam por "seres" concretos e que, ingenuamente, deixamos se tratar de nós mesmos. Estes seres, fantasiosos, por vezes chamados de conceitos, por outras de espírito e, ainda, idéia, tendem sempre a serem internalizados, de tal maneira que pareçam internalizados fisiologicamente. Também se apresentam com uma certa aparência, talvez, sólida, necessária, como "razões de viver". De qualquer forma, algo de comum pode ser percebido entre todos estes fantasmas, esse comum somente possível de percepção por uma perspectiva que forçamo-nos, incessantemente, a negar: somos, antes de qualquer ovelha, lobos famintos, ou ainda: antes filhos do Diabo, que filhos de Deus. Deus, ou melhor, os ideais morais, sabem muito bem disso. Tanto sabem, que não exitam em tramar todas as artimanhas possíveis para driblar nossa natureza: aqui nasce a lei.