Real Time Web Analytics Violência Semântica: Abril 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Política Representativa e Pastores




A única diferença que vejo entre o Pastor Feliciano e outros políticos é que o Pastor, em especial, é extremamente descuidado no discurso. Tem, por assim dizer, a boca grande demais comparado a um político ardiloso.

É porque não é fácil perceber: por trás das mais lindas palavras de um homem do parlamento se esconde tanta violência que o Pastor Feliciano acaba por se apresentar como o "menos pior", afinal, pelo menos ele deixa a safadeza mais explícita.

Achar que ele é pior que os outros implica em consentir, com certa alegria, o que a boca guarda para infligir maior prejuízo.

É preciso, portanto, voltar a atenção para os elementos implícitos na política representativa. Estes sim são os que pingam sangue e carregam os preconceitos mais brutais. Aliás, vamos dizer de uma vez: já há muito de implícito (e violento) a se investigar no próprio significado de "política representativa".

- Benny

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Prostitutas




Reclamar de prostituição, em geral, é coisa de gente fantasiosa. Isto é, chama o corpo de "coisa sagrada", enxerga fantasmas sobre as coisas, em tudo quer projetar um "além", um "significado" superior.

O corpo não possui nenhum significado além dele mesmo. E se existe alguma prerrogativa moral que não seja arbitrária para falar dele seria o seguinte: cada um é dono do próprio corpo. 

Também existem aquelas pessoas que reclamam de prostituição sem justificativa, apenas querem falar água. Estas, "coincidentemente", são muito bonitas ou bem munidas de sexo quando o desejam. 

Existem, também, aquelas que dizem que nem sempre a prostituição é decisão verdadeiramente autônoma. Ou seja, há casos em que a pessoa está sob o jugo de um cafetão ou empresário(a) safado querendo lucrar às custas do corpo de um segundo. Em suma, objetificação de mercado com o corpo. Nestes casos particulares, obviamente (e trivialmente), a pessoa tem razão. Assim como se sucede em prostituição de menores e etc. 

Contudo, mesmo sob todas as considerações, a prostituição permanece, em geral, legítima. Acho, aliás, que precisa de um outro nome, um nome mais positivo e menos relacionado exclusivamente à mulher. Afinal, não se fala em "prostitutos", mas eles existem. Se fala em "gigolô", mas que porra de nome é esse? 

Para um espírito livre é possível até mesmo uma visão romântica delas.

- Benny

A Ilusão do Sufrágio Universal




"A Ilusão do Sufrágio Universal".  Michael Bakunin. Escrito no século XIX, tradução de George Woodcock:

"Os homens acreditavam que o estabelecimento do sufrágio universal garantia a liberdade dos povos. Mas infelizmente esta era uma grande ilusão e a compreensão da ilusão, em muitos lugares, levou à queda e à desmoralização do partido radical. Os radicais não queriam enganar o povo, pelo menos assim asseguram as obras liberais, mas neste caso eles próprios foram enganados. Eles estavam firmemente convencidos quando prometeram ao povo a liberdade através do sufrágio universal. Inspirados por essa convicção, eles puderam sublevar as massas e derrubar os governos aristocráticos estabelecidos. Hoje depois de aprender com a experiência, e com a política do poder, os radicais perderam a fé em si mesmos e em seus princípios derrotados e corruptos.

Mas tudo parecia tão natural e tão simples: uma vez que os poderes legislativo e executivo emanavam diretamente de uma eleição popular, não se tornariam a pura expressão da vontade popular e não produziriam a liberdade e o bem estar entre a população?

Toda decepção com o sistema representativo está na ilusão de que um governo e uma legislação surgidos de uma eleição popular deve e pode representar a verdadeira vontade do povo. Instintiva e inevitavelmente, o povo espera duas coisas: a maior prosperidade possível combinada com a maior liberdade de movimento e de ação. Isto significa a melhor organização dos interesses econômicos populares, e a completa ausência de qualquer organização política ou de poder, já que toda organização política se destina à negação da liberdade. Estes são os desejos básicos do povo.

Os instintos dos governantes, sejam legisladores ou executores das leis, são diametricamente opostos por estarem numa posição excepcional.

Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, vêem a sociedade da mesma forma que um professor vê seus alunos, e entre o professor e os alunos não há igualdade. De um lado, há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo. Quem fala de poder político, fala de dominação. Quando existe dominação, uma grande parcela da sociedade é dominada e os que são dominados geralmente detestam os que dominam, enquanto estes não têm outra escolha, a não ser subjugar e oprimir aqueles que dominam.

Esta é a eterna história do saber, desde que o poder surgiu no mundo. Isto é, o que também explica como e porque os democratas mais radicais, os rebeldes mais violentos se tornam os conservadores mais cautelosos assim que obtêm o poder. Tais retratações são geralmente consideradas atos de traição, mas isto é um erro. A causa principal é apenas a mudança de posição e, portanto, de perspectiva.

Na suíça, assim como em outros lugares, a classe governante é completamente diferente e separada da massa dos governados. Aqui, apesar da constituição política ser igualitária, é a burguesia que governa, e é o povo, operários e camponeses, que obedecem suas leis. O povo não tem tempo livre ou educação necessária para se ocupar do governo. Já que a burguesia tem ambos, ela tem de ato, se não por direito, privilégio exclusivo. Portanto, na Suíça, como em outros países a igualdade política é apenas uma ficção pueril, uma mentira.

Separada como está do povo, por circunstâncias sociais e econômicas, como pode a burguesia expressar, nas leis e no governo, os sentimentos, as idéias, e a vontade do povo? É possível, e a experiência diária prova isto. Na legislação e no governo, a burguesia é dirigida principalmente por seus próprios interesses e preconceitos, sem levar em conta os interesses do povo.

É verdade que todos os nossos legisladores, assim como todos os membros dos governos cantonais são eleitos, direta ou indiretamente, pelo povo.

É verdade que, em dia de eleição, mesmo a burguesia mais orgulhosa, se tiver ambição política, deve curvar-se diante de sua Majestade, a Soberania Popular. Mas, terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas. Não se encontram e não se reconhecem mais. Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representantes? Na realidade, o controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ficção, já que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia da liberdade do povo, é evidente que tal liberdade não é mais do que ficção."