Real Time Web Analytics Violência Semântica: Junho 2013

terça-feira, 25 de junho de 2013

Não foi o "Gigante" que acordou - A Luta Autonomista que nunca dormiu!


As atuais mobilizações pelo Brasil NÃO estão acontecendo porque um "gigante acordou", mas porque determinados movimentos e organizações engajadas vêm fazendo um trabalho de base há anos para concretizar fortes intervenções nas ruas, como as de agora. Contudo,  se observa com clareza neste momento, uma grande quantidade de discursos "parasitários", que querem "pegar o bonde" e desvirtuar o que está sendo construído há muito tempo.

Ora, mas usar o espaço destas mobilizações engajadas é proibido? Claro que não. Todavia, é perceptível pautas contraditórias, de ordem - vamos dizer logo de uma vez - direitistas, safadas, coisa de playboy, que prefere apontar aqui e acolá uma fraude aleatória (das milhares), alguma emenda constitucional e etc (pra não dizer os cartazes conservadores de "contra o aborto" e etc). Já as pautas levantadas pelas organizações que citei no primeiro parágrafo, no entanto, goza de concreticidade, são reivindicações sólidas, muito bem pensadas, que buscam atender às castas mais pobres da sociedade - e também, por um lado, as mais altas, pois se trata de modernizar as cidades. São pautas, novamente, debatidas há anos, planejadas, de projeto em mãos. Logo, sair levantando 400 bandeiras nesta altura do campeonato só vai deixar uma multidão desorientada e abrir espaço para grupos mal intencionados começar a agir (em Brasília o exército leva cartazes dizendo "intervenção militar").

O papel do indignado e indignada neste momento deve ser o de dar um passo atrás - não para retroceder, mas enquanto instrumento estratégico: se trata de tornar possível uma visão panorâmica, de tudo o que está acontecendo. Para tanto, faz-se necessário identificar as diferentes frentes de luta, qual é o discurso da mídia corporativa e o que se trata, no final das contas, de uma manobra do governo. Isto que está sendo dito tem uma prerrogativa: o governo e a mídia estão se aproveitando (muito bem, aliás) das mobilizações. Eles, espertos como são, encontram nas manifestações uma peça de manobra para o jogo político burocrático (PEC 37 e etc) e eleitoral (partidos de direita estão adorando saber que isso está acontecendo no governo da Dilma). Muitos não se lembram, mas a PEC 37 só começou a ser tão falada após o xilique do Arnaldo Jabor contra os "20 centavos". Ele, após atacar o MPL de SP, disse algo mais ou menos assim: "...porque não protestam sobre a PEC 37? 20 centavos não tem importância...". A partir de então, novas pautas (sugeridas pelo próprio governo e mídia) se tornaram "headlines". Não tenho 50 anos, mas tenho idade o suficiente pra saber que quando O PRÓPRIO GOVERNO ou A MÍDIA diz o que temos de fazer algo não vai bem.

Seja "coxinha" (depois vamos falar sobre isso), ou não, todxs estão tendo uma puta experiência política, experiência que faltava ser vivenciada há anos! Jovens chilenos, gregos e espanhóis possuem experiência nas ruas desde sempre, pois a vida e cultura política nestes lugares são mais presentes. Não é a toa que na Europa o "vandalismo" já é papo ultrapassado: lá 0,1% tirado do orçamento da educação significa, sempre, uma cidade inteira em chamas, além de uma longa e profunda reestruturação do debate popular sobre caminhos e meios. No Brasil essa vivência política estava carente, mas apresentou oportunidades agora. Pela primeira vez, muitas pessoas sentiram, na pele, o fascismo que sempre esteve "latente" em uma tropa de choque. Mas não sejamos ingênuos: na periferia esse fascismo é vivenciado todos os dias. Jovens que nunca estiveram em manifestações - apesar delas sempre existirem aqui - já tiveram a primeira experiência da forma mais intensa possível, com 20, 30, 100 mil pessoas nas ruas. Isto tudo vem a levantar muita gente da cadeira: o "gigante acordou". Só que, mais uma vez, esse gigante acordou indignado, furioso... contudo, sem direção. 

Assim nascem os "coxinhas", que nada mais são do que massas de manobra da mídia e do Estado. Eles não haviam se preparado antes. Eram, por assim dizer, um "receptáculo" vazio, carente, prontos a comprar qualquer causa que fosse: o que importava era ir às ruas. De início, isso parece muito bom, afinal são mais pessoas aderindo à revolta popular. Por outro lado, como já era de se esperar, trouxeram de casa o que viram na TV: uma enorme lista de reivindicações sugeridas por Arnaldo Jabor, Cristovam Buarque e outros. Diferentemente daqueles que já estavam nas ruas - muito bem instruídos e politizados - os novos aderentes, os "coxinhas", não possuíam uma consciência de base, não estavam inseridos em debates políticos engajados, apenas chegavam, dizendo: qual cartaz devo segurar? Logo, a mídia e governo aproveitaram a oportunidade, trataram logo de entregar uma lista de reivindicações para carregarem - tão como a bandeira "anti-vandalismo", a "headline" dos coxinhas.

A pauta inicialmente tratava dos transportes. Há quem diga, como os novos aderentes, que o transporte não é prioridade. Isso só pode vir da boca de um playboy ou de quem mora há 2km do trabalho. Mobilidade urbana, sem outra saída, é sim de suma importância - se não o fosse não teria sido por isso que se iniciou um levante popular nacional. Não há como viver em uma cidade onde não há mobilidade, isto devia soar óbvio. O transporte público nas cidades brasileiras promovem uma enorme segregação social e são, também, uma maneira disfarçada de fazer valer um "toque de retirada" diário (como na ditadura), uma vez que a cidade a noite só existe para quem tem carro. Além disso, o sofrimento das pessoas em relação ao transporte público é diário e mais de uma vez ao dia: o ir e vir é marcado por enorme estresse, pois pessoas são carregadas para lá e para cá como se fossem porcos. A negligência dos transportes urbanos chegou ao ápice, não é possível mais tolerar, pois o Estado e empresas vinculadas já demonstrou que só vai piorar. Hospitais e escolas também são bases importantes e necessidades fundamentais de uma cidade, contudo, sejamos sinceros: nós não adoecemos todos os dias e pra chegar à escola precisamos de transporte. Eu já fui mais novo e sei muito bem o quão "disposto" eu chegava no colégio após uma "suave" viagem de ônibus. Enfim, não deixem que digam que o transporte não é prioridade e não se assuste quando falarem em "tarifa-zero" - pesquise sobre, e verá que é tão possível que já existe, além de existir recursos para isso.

De qualquer forma, este é o momento para tirar o atraso nos debates políticos. Agora é uma boa hora de retirar da estante os clássicos para uma leitura inspirada e de procurar, em sua cidade ou comunidade, os coletivos e movimentos compromissados com uma pauta séria. A experiência está sendo vivida, muito é aprendido neste momento. Talvez, até mesmo, falar de uma nova estética e aparência: o modo de se vestir da juventude sempre reflete sua consciência política; sendo assim, é desejável que o modo de se vestir a partir de agora reflita uma forte e séria postura política - e que não caiam nas garras de nacionalistas ostentando cruzes célticas nos ombros!! Autores como Emma Goldman, Bakunin, Marx, Hakim Bey, Proudhon e Zizek precisam se popularizar: está mais do que na hora de se formar uma consciência política autonomista, de deliberação própria, dona das próprias calças e, claro, estratégica.

Avante poder popular!!! O ÚNICO PODER REAL.


- Benny

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Vandalismo: a palavra que ninguém aguenta mais ouvir.


Pra se entender isso será necessário algum esforço lógico:

Existe um clichê interminável de "não ao vandalismo" que se percebe na internet e na boca do povo. Contar que numa rebelião de 100 mil pessoas não tenha depredação é tomar uma expectativa ilusória, de tal forma que ficar falando de violência e vandalismo (qualquer um dos dois) o tempo inteiro se torna desmobilizante, prejudica até mesmo quem é pacífico - exceto se denunciar a violência por parte da polícia. A todo momento se entra na internet e se vê mais "credo, quanta depredação" - do que se vê "vamos as ruas tal dia". 

Agora vai uma assertiva lógica: se não existe rebelião de 100 mil pessoas sem depredação, porque ficar denunciando a depredação se ela própria é condição necessária neste caso, uma vez que é inevitável? Pra não dizer que É a própria coisa, ou propriedade dela, se é que me entende. Assim, em uma perspectiva significativa, denunciar a violência e depredação é falar contra a própria a manifestação num todo. Pois uma rebelião de 100 mil pessoas e alguma depredação andam sempre juntos. São partes, por assim dizer, da mesma coisa.

Chega de denunciar vandalismo o tempo todo! Isso não ajuda, atrapalha!

- Benny

terça-feira, 4 de junho de 2013

"Pianista é hostilizado por alunos em Campinas"

Na foto o pianista frustrado André Mehmari.

Agora temos um novo Edu Falaschi xiliquento, desta vez na música clássica. Foi o que aconteceu depois da apresentação de um pianista em uma escola pública de SP.

Segue a notícia em: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/05/ig_paulista/64825-pianista-e-hostilizado-por-alunos-em-campinas.html

Wagner foi, em alguma perspectiva, underground pra sua época, mas pianista em escola pública na nossa não é, não vai ser, é debochado mesmo, vamos aceitar - se trata até mesmo de coação, enfiar no ouvido de uma pessoa uma música que não transparece suas condições sociais, seu cenário, por pura vontade dos adultos velhacos cheio de "bom gosto" (os meninos da escola foram OBRIGADOS a assistir a apresentação, isso é escroto). O músico não é burro, devia saber disso e o que esperar, assim como os idealizadores do projeto. 
Tenho certeza que se tocássemos death metal num evento de uma faculdade particular e fôssemos hostilizados NINGUÉM seria solidário, pelo contrário, iriam é zoar da nossa cara! Afinal este ambiente, em geral, não é lugar pra death metal, e todo mundo sabe disso. O melhor que íamos escutar é um "bem feito". A mulecada não gosta de música clássica mesmo, e tem até aversão (eram crianças de 11 anos), é normal, e eu acho isso ótimo, pois em uma dada época pais faziam os filhos escutarem música clássica a força para "domarem" os seus ouvidos. Tirar dinheiro do bolso pra botar a mulecada da escola pra apresentar suas composições de rap, funk e rock a prefeitura não quer, mas obrigar a escutar música clássica pra fazer alunos eruditos eles querem. Não bastava ter de forçar a cantar o hino nacional com ordem cívica e blablablá, agora um mlk de 11 anos tem de ser forçado a escutar MÚSICA ERUDITA. Afinal, um Rap é subversivo demais né, incita insubordinação e etc... tudo o que o governo não quer pra suas crianças! Música erudita ainda representa uma visão de mundo política, essa é a verdade, e é por isso que, no fundo, o músico foi hostilizado. De alguma forma, as crianças foram aversivas espontaneamente, mesmo na presença de professores e bedéis, isso é interessante.

Aí o pianista, no FB, depois de ter escutado umas boas, chamou crianças de 10 anos de idade (simplesmente por não gostarem da sua música) de "medíocres e preconceituosos". Qual vai ser a próxima apresentação na escola?? Tributo a Bach?? Depois o "mundo adulto" não entende porque a mulecada não quer estudar, me parece obvio o porquê, adulto que banca o velhaco careta é burro, possui serenidade demais para lidar com a cognição infantil. Daí depois ficam chocados porque a criança é tão rebelde e agressiva. "Manda o mlk pra psicoterapia! ta desobediente e agressivo demais".

O que se faz curioso é que adulto é sereno e careta até chegar do trabalho e levar a esposa pra cama, aí rompe barreiras e quer ser o Alexandre Frota. Mas durante o dia quer que nossas crianças escutem música clássica no lugar de Facção Central ou Dead Kennedys.


- Benny