Real Time Web Analytics Violência Semântica: Janeiro 2014

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Tese do Determinismo Biológico da Mente

A sequência de proposições a seguir diz respeito a algo muito importante que a vertente neurocientífica em voga vem elucidando. Simpatizantes deste debate e estudiosos da academia já conhecem essas proposições em suas múltiplas formas. Contudo, mesmo pessoas leigas se interessariam, pois revela coisas de uma magnitude metafísica assustadora:

1. O universo é regido, em última instância suficiente*, por leis físico-químicas.
2. O nosso organismo é parte obrigatória do universo, constituindo um avançado complexo molecular.
3. Nossos pensamentos ou, mais especificamente, nossas funções mentais, são implicações orgânicas, que são em última instância moléculas e submoléculas, portanto são regidos por leis físico-químicas.
4. As leis físico-químicas são de caráter necessário, isto é, leis imutáveis e potencialmente previsíveis, que obedecem a variáveis pré-determinadas.
5. Logo, nossas funções mentais, incluindo até mesmo nossa consciência moral, são determinadas, ou seja, não podiam ser de outra maneira (uma vez dada as variáveis do momento e história biológica/ambiental).
6. Se implica, portanto, que nossas escolhas não são escolhas genuinamente, mas ímpetos determinados física e quimicamente.
7. Se conclui, logo, que não há livre-arbítrio.
8. Se conclui, também, que ninguém é o que é genuinamente, mas o é por obra de determinações cósmicas ou físico-químicas, ou ainda, biológicas. 
9. Se sustentarmos que, a despeito de tudo ser determinado, podermos ainda falar de imprevisibilidade oriunda de um vasto conjunto de determinações, ainda assim estamos em território de determinações e, portanto, nunca volitivo. Inclui-se aqui as chamadas "propriedades emergentes", pois elas possuem propriedades causais, logo, permanecem vulneráveis a determinações
10. Em resumo, tudo na história mental de uma pessoa é determinado, tal como outras instâncias do universo, incluindo sua identidade atual, e não podia ser de outra maneira. Escolhas voluntárias só existem como qualia epifenomênico: você apenas tem a sensação de estar escolhendo algo voluntariamente. 

(*suficiente, pois há como reduzir leis moleculares à leis quânticas e por aí vai...)

Agora transcreva essas conclusões para o que se pode falar de moralidade e ética, a coisa fica feia.

- Benny.