Ao procurar bibliografia confiável em língua portuguesa do assunto, notei que temos pouca coisa disponível. Quando muito, temos capítulos de livros de filosofia da mente traduzidos que mencionam o pampsiquismo sem, todavia, tomá-lo como problema alvo. A minha primeira referência em língua portuguesa do assunto, por exemplo, foram os trechos traduzidos onde Thomas Nagel defende a teoria do duplo-aspecto — que pressupõe o pampsiquismo — em Visão a Partir de Lugar Nenhum . Assim sendo, decidi, por conta própria, em escrita livre, elucidar em nossa língua essa doutrina metafísica que, em teoria da mente, vem sendo uma tese cada vez mais discutida. Devemos, já de início, buscar distinguir o pampsiquismo do animismo . O animismo é a tese de que coisas tomadas habitualmente como desprovidas de vida psíquica podem possuir intencionalidade semelhante a nossa. Em uma de suas expressões, talvez a mais extremada, o animismo advoga mais que intencionalidade pa...
Por Benilson Nunes (Benny) 1. Introdução Para compreender a teoria de Nagel a respeito da consciência, devemos, de antemão, explicitar as suas pretensões metafísicas mais fundamentais. Trata-se do que o autor passou a nomear, em 1986, de “teoria do aspecto dual” (NAGEL, 2004, p. 43) ou, como poderíamos dizer em função de seu monismo, monismo de duplo-aspecto . Essa dualidade de aspectos, segundo Nagel, dá-se em uma terceira coisa [1] que abriga, essencialmente e simultaneamente , o mental [2] e o físico. Dizendo de outro modo, o monismo de duplo-aspecto nageliano é uma teoria da dupla-essencialidade — mental e física — a respeito de um substrato mais fundamental da realidade. Assim, temos que a realidade possui, ela mesma, uma escala última que seria, propriamente, psicofísica . Essa tese da essencialidade psicofísica da realidade advogada por Nagel surge com a pretensão de resolver o problema qu...
As semelhanças ou aproximações com outros autores de início já se apresentam. Não há dúvida que Nietzsche e Stirner, por exemplo, possuem raciocínios que compartilham de muito em comum. Também é dito que em Deleuze prerrogativas em comum se apresentam (Saul Newman, 2005: 13). Outros autores próximos a citar são: Foucault, Guy Debord, Raoul Vaneigem, etc. Em A Arte de Viver Para As Novas Gerações, de Raoul Vaneigem, a aproximação com a obra de Stirner, se coincidente, ou não, faz-se íntima. Entre os ativistas que se inspiraram, ou foram indiretamente influenciados por Stirner, estão Sergey Nechayev, Émile Armand, Élisee Reclus, Ravachol, Émile Henry, dentre outros. Vamos ao texto: “Minha causa é a causa de nada” (Stirner, 2009: 09), assim Stirner inicia a sua obra. Contudo, o que significa essa máxima? O “nada” de Stirner, ao menos neste momento do texto original, esconde uma proposição adjacente que pode não estar explícita. Assim, usando outras palavras, podemos elucidar ...
Comentários