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Ser "Libertário" no Séc.XXI

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Há algo que os opositores do pós-modernismo dizem e que vem fazendo muito sentido pra mim. Quanto aos meus pressupostos particulares, estando influenciado por Hakim Bey e demais teóricos de uma "rebeldia múltipla e interpenetrada", eu era refratário frente a qualquer argumento essencialista da teoria revolucionária. Mas desta vez terei de comprar uma das críticas deles, pois ela não me parece essencialista, mas estratégica, qual seja: existe uma tendência generalizada entre pessoas "a esquerda" de se encaixarem no que os liberais atuais chamam, erroneamente (mas de modo interessante), de "marxismo cultural". Em outras palavras, e traduzindo os próprios liberais, estas pessoas abandonaram o projeto e engajamento revolucionário (qualquer que seja) em nome de fragmentos  do que seria um projeto revolucionário. Não falam de ruptura da ordem vigente, muito menos de anti-capitalismo, mas preferem falar de - e pautam a totalidade de suas lutas em - feminis...

Maconha: Abordagem Comportamental x Orgânica.

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*Alegando desde já meu humilde e inicial conhecimento acadêmico nesta area, gostaria de fazer uma contribuição no debate que vem crescendo desde 2012. Conhecimentos aprofundados sobre o assunto constam em artigos de diversas revistas neurocientíficas das quais não estou citando inicialmente, mas pretendo adicioná-las futuramente. A motivação do texto a seguir deriva da polêmica revista Scientific American Brasil deste mês de Setembro de 2014, na qual, já na capa, consta a afirmação de demência precoce no uso da maconha. Tudo, ao que parece, se trata de uma resposta às pesquisas lideradas por Carl Hart. Vamos lá: Desde que os estudos de Carl Hart se tornaram famosos, uma determinada "militância" da vertente behaviorista das investigações neurocientíficas, isto é, a neurociência comportamental (que evitam investigar as instâncias cognitivas em seu processos orgânicos) voltaram a atuar com força, sobretudo em se tratando do consumo da maconha. Esta vertente defende...

Todos os vícios são químicos

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A nível de fisiologia cerebral, não há diferença entre vícios. Seja cocaína, comida ou seriados de TV: em dimensão química, de plasticidade sináptica, ambos possuem as mesmas consequências. Em todo caso se trata de aumentar o evento de sensibilização de neurônios das mesmas regiões cerebrais. Seja como for, ainda há prejuízos sistêmicos importantes por parte da toxicidade de drogas exógenas, isso parece evidente (apesar de vícios alimentares também ter isso, por exemplo). O que eu não sei responder ainda é qual dos dois tipos de vícios possuem o pior prejuízo social/cognitivo. Algo me diz que, ao fim e ao cabo, um viciado em haxixe não pode ser pior que um viciado em novelas ou seriados. Tão como pessoas devorando ferozmente alimentos gordurosos em fast-foods, pelo menos pra mim que sou de família católica, lembra a insaciedade que um crackeiro demonstra ao acender uma pedra. Também observo a face de completo nojo que me direcionam ao eu acender um cigarro. Isso tudo é eng...

Pode-se ser anticapitalista e comprar o que bem quiser (Parte 1)

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Pode-se ser anticapitalista e comprar o que bem quiser. Foi por conta de um raciocínio habitual falso que isso se tornou uma contradição. O capitalismo subsiste pelo braço do trabalhador, que constitui sua base real e sólida, ou seja, sua "força de produção". Já o sistema como tal é, muito antes, um conjunto de convenções abstratas, filtros de créditos, juros, acordos de papel, hierarquias jurídicas estabelecidas, ou seja, elementos virtuais ou hipóstases que subjugam forças materiais ao seu favor. O mesmo se passa com a mercadoria, que longe de constituir a essência  da estrutura de produção, é apenas o epifenômeno da mesma. Sendo assim, em campo concreto, tudo o que seria proveniente do capitalismo é, na verdade, proveniente da esfera real de produção, isto é, do próprio operário. Ao trabalhador tudo pertence: quem produziu a mercadoria tem, pela lógica natural do mundo, todo o direito sobre ela. Ao burguês parece não bastar explorar a...

Uma Breve História Sobre a Descoberta do DNA: de Friedrich Miescher à Watson e Crick.

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Figura: Watson e Crick com o seu modelo de DNA em metal. O artigo a seguir apresenta, além de um panorama histórico embasado, fatos curiosos entre os personagens que protagonizam esta descoberta. Benilson Souza Nunes¹ 1. Introdução O modelo atualmente aceito da molécula de DNA carrega consigo uma longa história de pesquisas. Em geral, associamos a descoberta do atual modelo com a famosa dupla de cientistas Watson e Crick que, em um lendário artigo de 1953, propuseram o que viria a ser, até os tempos de hoje, a base estrutural do ácido desoxirribonucleico (WATSON; CRICK, 1953). Estes, fazendo uso de imagens de difração de raio-x, puderam deduzir um modelo consistente com os conhecimentos e debates da época, isto é, uma estrutura tridimensional formada por dois seguimentos contínuos e composta por unidades meticulosamente ordenadas, então chamadas de nucleotídeos. Contudo, vale ressaltar que importantes pesquisas relacionadas antecederam este artigo de Watson e Cri...

Ode aos put@s.

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NÃO se trata de esterilizar o mundo das relações sexuais e dos divertimentos promíscuos. Não se trata de exaltar hábitos ascéticos e bons costumes de velhaco, mas sim de exterminar as relações de domínio pressuposto e conservadorismo moral. Estes dois últimos que representam o problema real das relações sexuais. E por relações sexuais falo em sentido amplo, incluindo o que chamam de relações amorosas. Como já dito em textos passados, relações amorosas, enquanto ideia linguística, carece de concreticidade e referente prático no mundo real, é um domínio de discurso excessivamente abstrato. Mas deixemos isto de lado, voltemos ao sexo e promiscuidade: A putaria - é esse o termo mesmo - não tem que acabar, pelo contrário, deve se intensificar. A promiscuidade, aliás, pra quem queira, está autorizada a se tornar um meio, fim e arte. Ao mesmo tempo, ainda se conserva o direito de ser reservado(a) sexualmente em âmbito particular. Sendo assim, putos e santos, para todos os gêneros, est...

A Tese do Determinismo Biológico da Mente

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A sequência de proposições a seguir diz respeito a algo muito importante que a vertente neurocientífica em voga vem elucidando. Simpatizantes deste debate e estudiosos da academia já conhecem essas proposições em suas múltiplas formas. Contudo, mesmo pessoas leigas se interessariam, pois revela coisas de uma magnitude metafísica assustadora: 1. O universo é regido, em última instância suficiente*, por leis físico-químicas. 2. O nosso organismo é parte obrigatória do universo, constituindo um avançado complexo molecular. 3. Nossos pensamentos ou, mais especificamente, nossas funções mentais, são implicações orgânicas, que são em última instância moléculas e submoléculas, portanto são regidos por leis físico-químicas. 4. As leis físico-químicas são de caráter necessário, isto é, leis imutáveis e potencialmente previsíveis, que obedecem a variáveis pré-determinadas. 5. Logo, nossas funções mentais, incluindo até mesmo nossa consciência moral, são determinadas, ou seja, não ...