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Política Representativa e Pastores

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A única diferença que vejo entre o Pastor Feliciano e outros políticos é que o Pastor, em especial, é extremamente descuidado no discurso. Tem, por assim dizer, a boca grande demais comparado a um político ardiloso. É porque não é fácil perceber: por trás das mais lindas palavras de um homem do parlamento se esconde tanta violência que o Pastor Feliciano acaba por se apresentar como o "menos pior", afinal, pelo menos ele deixa a safadeza mais explícita. Achar que ele é pior que os outros implica em consentir, com certa alegria, o que a boca guarda para infligir maior prejuízo. É preciso, portanto, voltar a atenção para os elementos implícitos na política representativa. Estes sim são os que pingam sangue e carregam os preconceitos mais brutais. Aliás, vamos dizer de uma vez: já há muito de implícito (e violento) a se investigar no próprio significado de "política representativa". - Benny

A Ilusão do Sufrágio Universal

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"A Ilusão do Sufrágio Universal".  Michael Bakunin. Escrito no século XIX, tradução de George Woodcock: "Os homens acreditavam que o estabelecimento do sufrágio universal garantia a liberdade dos povos. Mas infelizmente esta era uma grande ilusão e a compreensão da ilusão, em muitos lugares, levou à queda e à desmoralização do partido radical. Os radicais não queriam enganar o povo, pelo menos assim asseguram as obras liberais, mas neste caso eles próprios foram enganados. Eles estavam firmemente convencidos quando prometeram ao povo a liberdade através do sufrágio universal. Inspirados por essa convicção, eles puderam sublevar as massas e derrubar os governos aristocráticos estabelecidos. Hoje depois de aprender com a experiência, e com a política do poder, os radicais perderam a fé em si mesmos e em seus princípios derrotados e corruptos. Mas tudo parecia tão natural e tão simples: uma vez que os poderes legislativo e executivo emanavam diretam...

Max Stirner: Introdução ao Prefácio do Único.

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As semelhanças ou aproximações com outros autores de início já se apresentam. Não há dúvida que Nietzsche e Stirner, por exemplo, possuem raciocínios que compartilham de muito em comum. Também é dito que em Deleuze prerrogativas em comum se apresentam (Saul Newman, 2005: 13). Outros autores próximos a citar são: Foucault, Guy Debord, Raoul Vaneigem, etc. Em A Arte de Viver Para As Novas Gerações, de Raoul Vaneigem, a aproximação com a obra de Stirner, se coincidente, ou não, faz-se íntima. Entre os ativistas que se inspiraram, ou foram indiretamente influenciados por Stirner, estão Sergey Nechayev, Émile Armand, Élisee Reclus, Ravachol, Émile Henry, dentre outros. Vamos ao texto: “Minha causa é a causa de nada” (Stirner, 2009: 09), assim Stirner inicia a sua obra. Contudo, o que significa essa máxima? O “nada” de Stirner, ao menos neste momento do texto original, esconde uma proposição adjacente que pode não estar explícita. Assim, usando outras palavras, podemos elucidar ...

O Jurista e seu Disfarce

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  No profissão reporter da Globo, a jurista de meio-mestrado e enfeitada com cristianismo três-quartos diz: "...se todas as pessoas que estão em completo desamparo estatal e, portanto, em pobreza obrigatória, começarem a se apropriar do patrimônio alheio viveríamos em uma verdadeira anarquia." A insistência histórica em falar de "anarquia" em sentido aterrorizantemente negativo é uma tendência fantasiosa de querer que as aparências continuem vigorando para exercício de uma ordem particular, arbitrária. Isto é, a tal "anarquia" é um fenômeno, desde sempre, iminente , pois representa nada menos que as consequências diretas das contradições sociais que o Iluminismo, paradoxalmente, visava erradicar. A lei, o policiamento, a moralidade fundada no "amor" , em suma, o Estado - e a pobre coitada da jurista que acha que o Estado não é ela - serve, portanto, para silenciar impulsos perfeitamente naturais de exerção de poder concreto (falo de for...

Stirner - Minhas Relações

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"A propriedade privada vive por obra e graça do direito . Só nesse âmbito ela tem sua garantia - a posse ainda não é propriedade, só se torna 'coisa minha' com a aprovação do direito; não é um fato ( un fait , como Proudhon pensa), mas uma ficção, uma idéia. Uma coisa não é minha graças a mim , mas graças ao direito." - Stirner, O Único e a Sua Propriedade . Tradução de João Barrento; Martins Fontes, 2009. Página 324. "O Estado não admite que o homem possa ter relações diretas com o homem; ele tem de ser sempre intermediário , tem de...[portanto] intervir . O Estado tornou-se aquilo que Cristo, os Santos, a Igreja eram: nomeadamente 'íntermediário'. Separa o homem do homem para se colocar entre eles como 'espírito'." - Stirner, ibidem . Página 328. "Todavia o que acontece com meu trabalho material se passa também com o intelectual. O Estado permite que eu use e valoriza minhas idéias e as comunique (estou valorizando-as ...

REGICÍDIO X DECIMATE SPLIT

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Do Pampsiquismo das Idéias

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 O péssimo, ou maravilhoso para alguns, hábito humano de fazer da sua criatura seu próprio carrasco. Ou ainda: em tudo deixar, "humildemente", a criação se voltar contra o criador. Isso é um fetiche. Não é a toa que existem tantos filmes de uma "rebelião das máquinas". Incrivelmente, gostamos até mesmo de imaginar a criação se tornando um monstro concreto - como se não bastasse tantos monstros abstratos ou sentimentos algozes. É justamente isto que deixamos acontecer com nossas criações: a linguagem - e portanto os conceitos de humanidade -, o método, a religião, a tecnologia materializada, o próprio hábito (e portanto a inércia cotidiana e intelectual), o Estado, as relações interpessoais (principalmente amorosas), a vasta ética contemporânea (que tanto pesa na mochila do militante hoje) e por aí vai... O que se vê em comum de tudo isso não escapa: adoramos sustentar uma causa (idéia, conceito, sentimento moral e etc) e sentim...