Real Time Web Analytics Violência Semântica: Junho 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Terrorismo Filosófico

Leon Czolgosz, libertário ilegalista do final do século XIX. Aos 28 anos, no dia 6 de setembro de 1901 com um revolver calibre 32 ele ficou mundialmente famoso com o assassinato do Presidente dos EUA Willian McKinley. De uma família imigrante Polonesa nasceu em Detroit em 1873, e foi executado na cadeira elétrica em 1901 na Prisão Auburn, Nova Iorque. Tornando-se herói e sendo até endeusificado entre militantes de variadas ideologias anti-capitalista espalhadas pelo mundo.

Não só Czolgosz mas também muitos anarquistas Ilegalistas também conhecidos como anarquistas Individualistas e, de uma forma mais pejorativa, anarco-terroristas praticaram bombardeios, regicídios*, e ações-diretas violentas contra o estado e corporações no final do século XIX e início do século XX, como o assassinato do rei da Itália Humberto I pelo anarquista ítalo-americano Gaetano Bresci. Tal época era marcada por opressões violentas e chacinas do estado contra manifestantes em todo o mundo. Criando um ambiente de tensão e conflitos, que muitas vezes caiam nas mãos de libertários extremistas como os anarco-terroristas.

Uma citação que Gaetano Bresci fez enquanto vivo ficou famosa: - "Não matei Humberto, eu matei o rei, eu matei um princípio". As últimas palavras de Czolgosz antes de ser executado foram: - "Eu matei o presidente porque ela era o inimigo da boa gente, dos trabalhadores. Não sinto remorso pelo meu crime.". Estas palavras podem ser melhor entendidas se considerarmos a era em que viveram. A idéia do liberalismo já estava se difundindo pelo mundo e iria ter seu auge pouco antes do Crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929. Tal idéia, da mão invisível gerou intensa desigualdade social, marcada em miséria, fome e revoltas. Mas até onde atitudes violentas por justiça poderiam ser consideradas como heroismo?

O que sabe-se é que, indiretamente, um estado despotista ou não, quando é doutrinado por idéias capitalistas acaba gerando mortes por fome, doenças e guerras. Talvez, pode-se até chegar a falar de "Assassinato Indireto" feitos por políticos de todo o parlamento. Apesar de o estado hoje falar tanto em democracia sabe-se, por conhecimento e análise, que indiretamente tal sistema de "democracia não-direta" ataca aos direitos humanos e à integridade social. Então, considerando o "assassinato indireto" de políticos, pode-se condená-los a morte independente da constituição? Ou seja, uma punição legítima para desestabilizar o estado e alertá-los de forma extrema dos problemas sociais e de seus "assassinatos indiretos" que mata com a miséria?

Muitos pensadores alegam que o assassinato consciente, com fins coletivos, ausentando inocentes de tal atentado é de suma importância para a integridade social. Outros caracterizam isto apenas como "terrorismo", e difamam tais grupos ativistas simpatizantes do niilismo anarquista, que usa da violência para o protesto. Na época dos grandes regicídios houve até uma suposição de uma conspiração anarquista chamada Internacional Negra que planejava uma demoníaca revolução por meios de genocídios dos opositores da esquerda, tal conspiração é bem provável nunca ter existido, e serviu apenas como forma da mídia corporativa denegrir e icentivar a perseguição de ativistas.

Deixo como reflexão o apelo do anarquista francês Auguste Vaillant durante o seu julgamento que o senteciaria a morte por explodir uma bomba dentro da câmara dos deputados da França em 1893:

" Eu vi o capital vindo, como um vampiro, pronto para sugar a última gota de sangue de párias desafortunados. Então voltei a França onde estava a mim reservado ver minha família sofrer arduamente. Esta foi a última gota no copo da minha tristeza. Cansado de levar esta vida de sofrimento e covardia eu carreguei esta bomba até aqueles que são os principais responsáveis pela miséria social. " - Auguste Vaillant

*Regicídio: Assassinato de reis, príncipes, presidentes e demais regentes.

- B.S.N.Crowley

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