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O que é Pampsiquismo?

Ao procurar bibliografia confiável em língua portuguesa do assunto, notei que temos pouca coisa disponível. Quando muito, temos capítulos de livros de filosofia da mente traduzidos que mencionam o pampsiquismo sem, todavia, tomá-lo como problema alvo. A minha primeira referência em língua portuguesa do assunto, por exemplo, foram os trechos onde Thomas Nagel defende a teoria do duplo-aspecto — que pressupõe o pampsiquismo — em Visão a Partir de Lugar Nenhum. Assim sendo, decidi, por conta própria, em escrita livre, elucidar em nossa língua essa doutrina metafísica que, em teoria da mente, vem sendo uma tese cada vez mais discutida.
Devemos, já de início, buscar distinguir o pampsiquismo do animismo. O animismo é a tese de que coisas tomadas habitualmente como desprovidas de vida psíquica podem possuir intencionalidade semelhante a nossa. Em uma de suas expressões, talvez a mais extremada, o animismo advoga espiritualidade para tudo o que encontramos na natureza (p.ex.: objetos, proce…
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Entidades Psíquicas ou Cérebros: que tipo de criatura somos?

"O fato consciente universal não é 'sentimentos e pensamentos existem', mas 'eu penso' e 'eu sinto'. Nenhuma psicologia, de modo algum, pode questionar a existência de egos pessoais. O pior que uma psicologia pode fazer é, assim, interpretar a natureza desses egos de modo a lhes roubar o seu valor" (William James, Princípios de Psicologia, Cap. IX).
Por Benilson Nunes.
De todas as perguntas metafísicas que fazemos antes mesmo de conhecer a filosofia, a questão sobre o que somos é, provavelmente, a mais recorrente. Para a maioria, esse questionamento é feito pela primeira vez ainda na infância. Ele nos ocorre, por vezes, de maneira involuntária, como em momentos de ócio ou distração psicológica acompanhada de profunda introspecção ― as más línguas chamam-no de “devaneio”. 
Também temos o pensamento invadido por tipo semelhante de questão quando estamos acometidos por intensa angústia ou tristeza. Nesses casos, costuma-se alterar a indagação ontológica …

O que é Niilismo? Uma definição a fundo.

Por Benilson Nunes
As principais enciclopédias online de filosofia, tais como a Stanford, a Internet Encyclopedia of Philosophy e a Routledge, oferecem visões, ao nosso ver, excessivamente contextuais, ou, por isso mesmo, pouco gerais ― o que não é, em todo caso, ruim. Talvez isso ocorra em função da própria autoria do artigo que acompanha os verbetes não ser, em si, niilista, necessitando, assim, de uma explicação tendo como referência exemplos históricos específicos. Dito de outro modo, não se tenta oferecer a perspectiva niilista, mas apenas perspectivas em seus recortes autorais ou disciplinares. Decerto, essa é uma atitude parcimoniosa positiva, mas que deixa de oferecer uma visão que possa ser compreendida independentemente do conhecimento que se tenha da história da filosofia.

Todavia, mesmo considerando definições não enciclopédicas, definições imprecisas serão, de todo modo, compreensíveis, dado que o niilismo não é uma doutrina de fácil compreensão e se confunde, muitas veze…

A teoria do duplo-aspecto de Thomas Nagel

Por Benilson Nunes (Benny) 1. Introdução
Para compreender a teoria de Nagel a respeito da consciência, devemos, de antemão, explicitar as suas pretensões metafísicas mais fundamentais. Trata-se do que o autor passou a nomear, em 1986, de “teoria do aspecto dual” (NAGEL, 2004, p. 43) ou, como poderíamos dizer em função de seu monismo, monismo de duplo-aspecto. Essa dualidade de aspectos, segundo Nagel, dá-se em uma terceira coisa[1] que abriga, essencialmente e simultaneamente, o mental[2] e o físico. Dizendo de outro modo, o monismo de duplo-aspecto nageliano é uma teoria da dupla-essencialidade — mental e física — a respeito de um substrato mais fundamental da realidade. Assim, temos que a realidade possui, ela mesma, uma escala última que seria, propriamente, psicofísica. Essa tese da essencialidade psicofísica da realidade advogada por Nagel surge com a pretensão de resolver o problema que ficou intitulado, a partir do artigo Materialism and qualia: the explanatory gap de Joseph Levin…