Real Time Web Analytics Violência Semântica: Junho 2011

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Prova da Existência de Deus de Santo Anselmo



Quando pensamos em deus o entendemos enquanto, segundo Anselmo, “um ser do qual não é possível pensar nada maior”. Ainda assim, o ateu pode insistir em sua sentença de que não há deus. Contudo, Anselmo esclarece, o próprio ateu não pode fugir da idéia de “um ser do qual não é possível pensar nada maior”. Pois, querendo ou não, ele tem esta ideia no entendimento, o que evidencia a existência, ao menos, de deus na inteligência.

Seguindo em seu raciocínio, Anselmo percebe que ter um objeto na inteligência e ter um objeto no mundo real são coisas distintas; ou seja, algo pode existir na inteligência e, entretanto, não possuir seu referente na realidade. Nesse caso, algo que exista somente na inteligência não pode ser absolutamente grandioso, pois poderia existir algo na inteligência que tem seu correspondente no mundo real e que seria, certamente, maior. Tomando essa perspectiva, o que existe na inteligência e, concomitantemente, no mundo real seria algo maior que um deus que apenas existe em nossa inteligência ou mente.

Se a idéia de “um ser do qual não é possível pensar nada maior” estiver realmente na inteligência, então ela não poderia existir somente na inteligência, pois se tornaria inconcebível: algo tão grandioso precisa atender os critérios de grandiosidade e possuir mais do que uma mera existência psicológica. Seria preciso, para que esta idéia não seja ininteligível - pois de fato é claramente inteligível -, que “o ser do qual não é possível pensar nada maior” cumpra sua inteligibilidade e exista, também, no mundo real. Pois, se não, este ser, que não é possível pensar nada maior, se tornaria algo do qual se poderia muito bem pensar algo maior – algo, por exemplo, que existe na inteligência e na realidade – o que implicaria um absurdo. Nas palavras de Anselmo:


“Se, portanto, ‘o ser do qual não é possível pensar nada maior’ existisse somente na inteligência, este mesmo ser, do qual não se pode pensar nada maior, tornar-se-ia o ser do qual é possível, ao contrário, pensar algo maior: o que, certamente, é absurdo.” (Anselmo - Cap. II, Proslogio)


Assim, “o ser do qual não é possível pensar nada maior” existe na inteligência e na realidade. Tal argumento demonstra que não é possível, nem sequer, pensar que Deus não existe. Pois, se o fizer, o fará tão somente ao nível da palavra e não do entendimento. Anselmo diz que é possível dizer, por exemplo, que água e fogo são idênticos, mas isso não implica que seja algo possível de compreensão, pois, de fato, é impossível compreender tal enunciado. Se a proposição do “ser do qual não é possível pensar nada maior” é inteligível, como já foi explicado, se torna impossível pensar em algo maior ainda. Logo, considerando a necessidade da existência de deus na inteligência e na realidade já demonstrada, pensar em Deus não permite a possibilidade de pensá-lo como inexistente:


“Deus, porém, é ‘o ser do qual não é possível pensar nada maior’, e quem compreende bem isso sem dúvida compreende, também, que Deus é um ser que não pode encontrar-se [somente] no pensamento. Quem, portanto, compreende que Deus é assim, não consegue sequer imaginar que ele não exista.” (Anselmo - Cap. IV, Proslogio)
- Benny