Real Time Web Analytics Violência Semântica: Novembro 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Biologia Celular Básica do Neurônio


Os neurônios são conhecidos pela sua vasta diversidade morfológica. É o tipo celular mais variado em nosso organismo. Dentre as diversas localidades do corpo onde estão espalhados, se observa mais de 50 tipos diferentes descritos (KANDEL, 2003). Ainda assim, se sabe que todos eles apresentam a mesma base estrutural. Além disso, é importante a informação de que cada tipo de neurônio expressa uma combinação de moléculas gerais e específicas, de acordo com a coleção de genes expressos em cada um destes tipos variados de células (KANDEL, 2003).

A constituição do neurônio é formada, fundamentalmente, pelo corpo celular, os dendritos, os axônios e os terminais sinápticos (KANDEL, 2003). Por vezes, o corpo celular também pode ser chamado de “soma”, local onde se concentram as principais organelas intracelulares (LENT, 2001). A porção somática da maioria dos neurônios, onde se observa o núcleo e grande parte das organelas, representa, contudo, menos que um décimo do volume total da célula. Os dendritos e axônios, que se projetam do corpo celular (ou soma) representam o restante desta proporção (KANDEL, 2003). Deve-se pensar o neurônio, portanto, como a unidade de uma ampla rede nervosa que necessita, mais que apenas um corpo celular, de processos que permitem intensa ligação entre eles. Logo, os dendritos ¬(ou processos) que se projetam do corpo celular costumam se apresentar numerosos, se ramificando várias vezes, a fim de estabelecer uma estrutura especial de recepção sináptica para outros neurônios (KANDEL, 2003).

Do corpo celular (soma) geralmente se origina apenas um axônio  (KANDEL, 2003), mas esse número pode variar, evidenciando a ampla dinâmica de interconexões do cérebro. Sendo assim, em geral, concebemos a imagem de um neurônio como sendo uma “cabeça” (que seria o corpo celular) impregnada de processos (dendritos) especializados na recepção sináptica, e um longo “rabo” (o axônio) desembocando, por fim, em um terminal sináptico (KANDEL, 2003).

Os processos que se projetam do corpo celular do neurônio formam, por assim dizer, uma densa “árvore”, com numerosas projeções e ramificações, constituindo, por fim, um vasto receptor sináptico. Denomina-se, portanto, campo dendrítico a árvore que os processos, ou dendritos, do corpo celular formam (LENT, 2001). A árvore dendrítica de um neurônio do cerebelo pode alcançar um número de ramificações significativo, chegando a manter contato com 200 mil fibras aferentes  (LENT, 2001).

O axônio de um neurônio pode possuir um comprimento considerável, propagando impulsos elétricos em distâncias significativas (KANDEL, 2003). Seus terminais sinápticos, localizados ao fim do axônio, fazem contato não só com neurônios vizinhos, mas com órgãos de outras partes do corpo, tal como o músculo, transmitindo informação motora.

Os neurônios ainda apresentam uma complexa e ampla rede interna de polímeros que constitui seu citoesqueleto. No caso especial dos neurônios, esta rede possui uma complexidade importante, já que é ela a responsável por ancorar proteínas motoras que transportam vesículas - contendo neurotransmissores - ao longo da célula e, além disso, é quem permite a neuroplasticidade do sistema nervoso, possibilitando que um neurônio crie novos processos, aumentando ou diminuindo, assim, a intensidade de ligação entre um neurônio e outro (LENT, 2001). Diga-se de passagem, a todo o momento a célula neuronal tem de dar conta de um novo mecanismo molecular para eventos sinápticos, tais como a produção e transporte de novos receptores de membrana para a atividade sináptica e de substratos para ação enzimática em cascatas, fazendo do citoesqueleto um verdadeiro sistema de ruas e avenidas dentro da célula.
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[1] O termo aferente, citado no texto, diz respeito a uma fibra nervosa que traz informação ou impulso elétrico. Já a fibra que leva informação é dita como eferente.

- Benny


Referências Bibliográficas
KANDEL, E. R.; SCHWARTZ, J. H.; JESSELL, T. M. Princípios da neurociência. 4a Edição ed. Barueri, São Paulo.: Manole, 2003.

LENT, R. Cem bilhões de neurôneos: conceitos fundamentais da neurociência. São Paulo: Atheneu, 2001.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Anatomia Funcional Básica do Cérebro


Os avanços tecnológicos para o estudo do cérebro no final do último século fez a década de 90, nos EUA, ser declarada como a “década do cérebro” (RUSSO e PONCIANO, 2002). Decorrentes desta mobilização, que contou, inclusive, com a elaboração de uma lei, surgiram tecnologias chaves para o aprimoramento da neurociência. Avanços tecnológicos tais como a ressonância magnética, tomografia computadorizada, tomografia por emissão de pósitrons (PET) e tomografia por emissão de fótons (SPECT) tornaram possível observar o cérebro, com certa clareza, por meio de imagens, em intenso funcionamento (RUSSO e PONCIANO, 2002), ainda que estas imagens não correspondam a uma cópia fiel dos processos cerebrais.
            
O sistema nervoso central (SNC) é formado basicamente por duas porções contínuas entre si, são elas o encéfalo e a medula espinhal (LENT, 2001). Sendo que o encéfalo, por sua vez, ainda é divido em outras duas porções: anterior (ou prosencéfalo) e posterior (ou rombencéfalo) (KANDEL et al., 2003). Assim, o encéfalo em sua porção anterior comporta o cérebro (dividido em telencéfalo e diencéfalo) e, em sua porção posterior, encontrada mais abaixo, comporta o cerebelo e tronco encefálico (LENT, 2001). O tronco encefálico, contudo, ainda é divido em três regiões: mesencéfalo, ponte e bulbo (LENT, 2001). Falando precisamente e em miúdos, o SNC é dividido, portanto, em medula espinhal, medula oblonga, ponte, cerebelo, mesencéfalo, diencéfalo e hemisfério cerebral (KANDEL et al., 2003).
            
Por sua vez, a porção cerebral do encéfalo, da qual iremos nos ater majoritariamente, é dividida em quatro partes principais caracterizadas pelas suas posições anatômicas e funcionalidades distintas, são elas: o lobo frontal, lobo parietal, lobo occipital e lobo temporal (KANDEL et al., 2003).
            
O lobo frontal está associado, dentre outras funções, ao planejamento de ações futuras e controle do movimento. Já o lobo parietal, localizado entre o lobo frontal e occipital, responde pela sensação somática, formação da imagem do corpo e a relação da imagem do corpo com o espaço extra pessoal. O lobo occipital, localizado na parte posterior, está principalmente envolvido com a visão. Por fim, o lobo temporal, localizado nas duas porções laterais do cérebro, é responsável, sobretudo, pela audição. Ainda no lobo temporal, estão localizadas duas porções que são alvos frequentes de estudo, são elas a amígdala e o hipocampo, com funções relacionadas à aprendizagem, memória e emoção (KANDEL et al., 2003), assuntos que serão abordados no presente trabalho.[1]
         
Cada lobo apresenta giros e fissuras - ou sulcos - (KANDEL et al., 2003) onde os giros representam a parte projetada ou avantajada, enquanto que as fissuras representam os traços característicos do cérebro que separam um giro do outro, conferindo um aspecto “enrugado” (LENT, 2001). Um giro pode ser responsável por uma função enquanto que um segundo pode estar relacionado à outra função, tudo em um mesmo lobo cerebral. Giros e sulcos apresentam, portanto, um meio conveniente de separar anatomicamente funções cerebrais mais específicas.

A porção mais superficial dos lobos, ou do cérebro, onde se apresentam os giros e sulcos, e que também se caracteriza por uma aparência cinzenta - e por isso também é chamado de massa cinzenta do cérebro -, denomina-se córtex cerebral (LENT, 2001). Nesta porção estão localizadas as principais funções cognitivas (KANDEL et al., 2003), sendo uma área, portanto, de constantes estudos na neurociência.
            
Como se vê, há fortes evidências para se pensar o sistema nervoso como um mosaico de regiões especializadas (LENT, 2001), ainda que estas regiões − especializadas − estejam em intensa interação. Logo, para o estudo da neurociência se parte de um pressuposto fundamental: o cérebro é um conjunto interconectado de porções especializadas.

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[1] Um quinto lobo, denominado lobo insular, pode ser descrito por alguns autores. A localização deste lobo estaria na parte interna do cérebro, isto é, entre os quatro lobos (frontal, parietal, temporal e occipital). Este quinto lobo serviria para denominar a parte mais profunda do cérebro.

- Benny

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Bibliografia

KANDEL, E. R.; SCHWARTZ, J. H.; JESSELL, T. M. Princípios da neurociência. 4a Edição ed. Barueri, São Paulo.: Manole, 2003.

LENT, R. Cem bilhões de neurôneos: conceitos fundamentais da neurociência. São Paulo: Atheneu, 2001. 

RUSSO, J. A.; PONCIANO, E. L. T. O sujeito da neurociência: da naturalização do homem ao re-encantamento da natureza. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 12, n. 2, p. 345–373, dez. 2002.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Talvez a existência da raça humana no universo, enquanto espécie, seja algo digno de uma salva de palmas. Mas o indivíduo particular consciente, aquele que apenas faz parte do conjunto da espécie sem ser ele próprio a totalidade da espécie, está abandonado na imensidão da realidade. É uma desgraça. Não dá pra ficar alegre com isso.

- Benny