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Fenomenologia dos Estados Alcoolicos: a ressaca.

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Por Benilson Nunes Fenomenologia quer dizer, stricto sensu , estudo dos fenômenos ocorrentes. Para isso, pressupomos um sujeito presente, ou melhor, um sujeito que tem a experiência  do fenômeno. Sendo assim, não estamos falando da experiência realizada pelo cientista, mas da experiência comum, sensitiva, experiência de qualquer coisa. Mais ainda, é importante saber que experiência e fenômeno,  dentro de um viés psicológico, são uma única e mesma coisa, sendo diferente, apenas, o objeto que suscitou a experiência ou fenômeno psicológico. Por exemplo, não se deve confundir a experiência da cor de uma maçã com a própria  maçã. Nesse sentido, podemos definir a fenomenologia como o estudo objetivo das experiências, isto é, são as próprias experiências o objeto de pesquisa. Bom, mas quais experiências nos chamam a atenção para reflexão? Antes de mais nada, na tradição filosófica experiência quer dizer, sobretudo, experiência mental . Assim, temos experiê...

Black Mirror não é s/ tecnologia, nem s/ o que há de pior em nós: é sobre filosofia.

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Nas últimas semanas me deparei com dois textos: um que atribuía a temática "tecnologia" e outro que atribuía a temática "sobre o que há de pior em nós mesmos" acerca do seriado Black Mirror. Considero essas atribuições uma negligência grosseira, uma vez que desconhecem o que filósofos fazem, pelo menos, desde Descartes - ou até antes. Trata-se do que chamamos em filosofia de "experimentos de pensamento" (ou thought-experiment , como foi cunhado pelos filósofos de língua inglesa). Os experimentos de pensamento são uma poderosa ferramenta epistemológica presente em muitos argumentos filosóficos, sobretudo aqueles de teor metafísico . Grosso modo, são casos imaginários conjecturados a fim de colocarem em teste as nossas intuições. Por exemplo, no caso de Locke, é muito conhecido o experimento de pensamento de trocas de mentes do Príncipe e o Sapateiro , onde a intenção é forçar nossas intuições acerca dos critérios metafísicos de identidade pessoal. ...

Nosso cérebro muda, mas nossa existência persiste. Por quê? (parte 1)

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Após uma certa quantidade de anos, todas as moléculas do nosso cérebro são trocadas, isto é, nosso sistema nervoso central é renovado materialmente de tempos em tempos por meio de mecanismos de síntese e reciclagem molecular. Podemos dizer, inclusive, que não só as moléculas são renovadas, mas também grande parte das configurações espaciais que as mesmas apresentam nos meios intracelulares se reconfiguram. Indo mais longe, podemos dizer, num nível mais alto de organização funcional, que o tecido neuronal, com suas ligações dendríticas, envoltórios mielínicos e assim por diante, alteram-se ou sofrem degeneração - sabemos que a partir dos 25 anos tem início a degeneração neural. Contudo, a despeito de todas as alterações e degenerações, persistimos sentindo que continuamos a ser a mesma pessoa . Por quê? Como isso é possível? Muito antes do advento da neurobiologia celular, filósofos do século XVII já discutiam problemas relacionados. No caso, o problema apresentava-se no plano...

A negatividade constitutiva do amor conjugal.

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Por Benilson Nunes. A maioria das pessoas nunca ouviram falar o que seria uma   psicologia de senso comum . Trata-se de um conjunto de crenças sobre a mente que funciona como uma teoria, mas que, todavia, não é tomada como tal. Em outras palavras, temos um arcabouço conceitual para referenciar os estados mentais, afetos, desejos, etc., de modo mais ou menos sistemático. Dizemos que tal pessoa está triste, que tal pessoa está alegre, e assim por diante, segundo critérios mais ou menos conscientes. Boa parte da psicologia clínica, inclusive, opera por meio desses conceitos ordinários sobre a vida psíquica. Uma boa explicação do que seria a " folk psychology " pode ser encontrada, a despeito do viés fisicalista do autor, na obra de Paul Churchland intitulada  Matéria e Consciência: uma introdução contemporânea à filosofia da mente (2004, p. 101-103) O que seria, então, uma psicologia que   não   é de "senso comum"? Basicamente, teríamos duas respostas po...

Freud e o Problema Ontológico da Mente: breves considerações

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Por Benilson Nunes Buscar uma teoria da mente em Freud se mostra uma tarefa árdua. Sua terminologia, diferentemente daquelas que observamos na filosofia da mente contemporânea, suscitam problemas de interpretação quando esperamos encontrar uma estrutura teórica sobre a natureza da mente. Assim, sem pretender solucionar problemas anunciados por seus comentadores, contamos a seguir com algumas considerações, alavancadas por Caropreso, que aproximam Freud de uma teoria emergentista muito semelhante àquelas que encontramos entre os filósofos da mente contemporâneos. Segundo Caropreso (2009, p. 148), o primeiro texto no qual Freud trabalha a relação entre mente e cérebro data de 1891 e tem como título Sobre a Concepção das Afasias . Neste trabalho, Freud enfrenta as concepções de autores como Wernicke e Lichtheim os quais defendiam que as afasias eram anatomicamente localizadas ― uma concepção “localizacionista” ―, de tal forma que cada região do cérebro comportaria uma subfunç...